A inteligência artificial está a reconfigurar o mercado de fusões e aquisições a uma velocidade sem precedentes e, desta forma, está a impulsionar o M&A em 2025-2026. O que antes dependia de trabalho manual, contactos e análise humana passou a ser complementado por ferramentas capazes de analisar milhares de empresas, prever riscos e quantificar sinergias com uma precisão até agora impossível. Em 2025/26, tanto investidores financeiros como compradores estratégicos estão a incorporar modelos de IA em todas as etapas do processo — do deal sourcing à due diligence, passando pela integração.
Neste artigo, preparado para o Portal dos Investimentos e baseado na experiência prática da Macro Consulting em transacções nacionais e internacionais, analisamos como a IA está a transformar o M&A, que ferramentas já são usadas no mercado e como os decisores podem tirar partido desta revolução.
Como a IA está a identificar targets mais rápido e com mais precisão
Deal sourcing preditivo
As plataformas de IA analisam bases de dados públicas e privadas para identificar empresas com maior probabilidade de:
- Estarem disponíveis para venda nos próximos 6–12 meses;
- Enfrentarem desafios financeiros que as tornam targets de distressed M&A;
- Estarem a crescer acima da média e a precisar de capital para escalar.
Ferramentas de machine learning cruzam dados de crescimento, hiring trends, comportamento competitivo e alterações societárias para prever movimentos estratégicos. Isto permite que compradores cheguem aos targets antes de estes entrarem no mercado formal.
Segmentação avançada
A IA consegue agrupar targets com base em milhares de variáveis que seriam impossíveis de analisar manualmente, incluindo:
- Tecnologias utilizadas;
- Eficiência operacional;
- Maturidade digital;
- Qualidade da liderança;
- Posicionamento competitivo.
Isto aumenta a qualidade do pipeline e melhora a taxa de conversão.
IA em M&A permite identificar targets mais rapidamente e com maior precisão, analisando múltiplos indicadores estratégicos.
Due diligence com IA: da análise manual à auditoria inteligente
Extração e análise automática de documentos
Ferramentas de IA generativa reduzem semanas de trabalho ao:
- Analisar contratos e identificar cláusulas de risco;
- Avaliar balancetes, movimentos contabilísticos e rácios financeiros;
- Sintetizar riscos jurídicos e operacionais.
Em transacções recentes acompanhadas pela Macro Consulting, a IA reduziu o tempo de documentação inicial entre 30% e 45%.
Deteção de anomalias financeiras
Modelos avançados permitem identificar:
- Manipulação de EBITDA;
- Variações atípicas no working capital;
- Períodos anormais de concentração de despesas;
- Dependência de clientes ou fornecedores acima de benchmarks setoriais.
Due diligence com IA potência a deteção de riscos financeiros e operacionais antes do closing.
IA na avaliação e no cálculo de sinergias
Valuation assistido por IA
Modelos de IA aceleram a construção de:
- DCF com cenários automáticos;
- Múltiplos comparáveis atualizados em tempo real;
- Simulações de Monte Carlo para prever volatilidade.
A grande vantagem é a capacidade de testar milhares de combinações de premissas, gerando envelopes de valor mais robustos.
Sinergias operacionais mapeadas com precisão
A IA está a revolucionar a quantificação de sinergias, especialmente na:
- Otimização da cadeia de abastecimento;
- Redução de duplicações administrativas;
- Integração tecnológica;
- Identificação de sinergias de revenue através de modelos de pricing e churn prediction.
A IA permite quantificar sinergias operacionais e financeiras com maior rigor e rapidez.
IA na fase de integração (PMI): da cultura às operações
Monitorização em tempo real
A IA fornece dashboards de integração com:
- KPIs financeiros;
- Indicadores de produtividade;
- Níveis de engagement da equipa;
- Identificação precoce de riscos emergentes.
Integração cultural orientada por dados
Ferramentas modernas analisam comunicações internas, padrões de decisão e estilos de liderança para identificar:
- Conflitos potenciais;
- Fontes de resistência;
- Equipas mais vulneráveis ao churn.
Durante a integração, a IA permite monitorizar KPIs e identificar riscos culturais antes que se tornem críticos.
Riscos e limitações do uso de IA em M&A
Apesar do potencial, existem riscos relevantes:
Opacidade dos modelos:
Muitos algoritmos funcionam como “caixas negras”. É essencial compreender limites, enviesamentos e margens de erro.
Qualidade dos dados:
A IA só é tão boa quanto a qualidade dos dados analisados. Informação incompleta, desatualizada ou enviesada gera decisões erradas.
Questões legais e éticas:
Em 2026, a regulamentação europeia exige:
- Explicabilidade dos modelos utilizados;
- Proteção de dados pessoais;
- Transparência sobre fontes e critérios de decisão.
Riscos de IA em M&A incluem opacidade dos modelos, qualidade dos dados e questões legais.
O que muda para os decisores de M&A
Novo perfil do dealmaker
O profissional de M&A precisa agora de:
- Literacia tecnológica;
- Capacidade de interpretar modelos preditivos;
- Competências para integrar análise humana e dados.
Processo mais competitivo
Quem domina a IA chega primeiro aos targets, negocia melhor e minimiza riscos com maior confiança.
Conclusão
A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta adicional no processo de M&A — é um acelerador estratégico que está a redefinir a forma como targets são identificados, sinergias são calculadas e integrações são conduzidas. Nos próximos anos, quem dominar estas tecnologias terá uma vantagem competitiva significativa, tanto no lado financeiro como estratégico.
No Portal dos Investimentos, pode explorar como aplicar IA ao pipeline de M&A da sua empresa, ou avaliar oportunidades com maior precisão. Fale connosco para receber orientação especializada que ajuda a maximizar valor e minimizar riscos em transações em Portugal.